100 anos de Burle Marx

10/08/09
burle-marx.jpg

Num projeto de paisagismo, o lugar é todo aquele espaço agradável que convida ao encontro de pessoas. Ele estimula a permanecer e a praticar alguma atividade, como descansar, meditar, ler , conversar em grupo , ou simplesmente  a admirar o entorno e os elementos da paisagem.  Cor, forma, aroma, sons, texturas e sabor: uma paisagem construída com plantas e arvores proporciona as mais diversas  sensações as pessoas. O paisagismo é a única expressão artística em que participam os cinco sentidos do ser humano. Enquanto a arquitetura, a pintura e a escultura usam a visão, o paisagismo envolve o olfato, a audição, o paladar e o tato, o que proporciona uma rica vivencia sensorial ao somar as mais complexas experiências perceptivas.

stioburlemarx.jpg

Quanto mais um jardim consegue aguçar todos os sentidos, melhor cumpre seu papel.  E as formas ondulantes dos jardins de Burle Marx traduzem esse sentido de liberdade. Por influência da mãe Roberto Burle Marx; paulista que com a transferência de residência passa a infância  no Rio de Janeiro, começa desde cedo a ter interesse pela variedade de espécies, cores e formas das plantas brasileiras. Por ocasião de um tratamento na visão, viaja a Alemanha com a família. E em Berlim visita exposições de Cézanne, Matisse, Braque, Klee,  Picasso e Van Gogh. Mas é em visita ao Jardim Botânico de Dahlem que a vocação de paisagista termina por se impor. Burle Marx, entra na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, e por influencia de Lucio Costa transfere o curso de arquitetura para o de pintura.  Convive com intelectuais como Oscar Niemeyer, Portinari, José Lins do Rego e Tarsila do Amaral. E neste ambiente modernizador surgem a s primeiras reflexões acerca da possibilidade de conceitos pictóricos ao paisagismo. A convite de Lúcio Costa, realiza seu primeiro trabalho para a residência da família Shwartz, em Copacabana.

067_6.jpg

Assim como suas pinturas, seus jardins são concebidos através da compreensão estética do “mistério” da natureza, acessível apenas pela “intenção de compreender sua forma de vida através de elementos como a cor, o volume, o ritmo e o movimento.” Burle Marx é conhecido pelos belos jardins tropicais. Dentre seus mais destacados trabalhos estão o Aterro do Flamengo – Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro; Ministério das Relações Exteriores, em Brasília; Calçadões da Avenida Atlântica, Praia de Copacabana no Rio de Janeiro; e o Banco Safra, em São Paulo, dentre outros tantos.

Este ano Burle Marx, completaria 100 anos. E o MAM ( Museu de Arte Moderna de São Paulo) realiza uma exposição de trabalhos com projetos, desenhos, pinturas, maquetes, tapeçarias, jóias e trabalhos em murano.  A exposição Roberto Burle Marx 100 anos: a permanência do instável, ficará em São Paulo até 13 de Setembro. No Ibirapuera MAM, com entrada a R$5,50.

Ao longo da exposição, o visitante irá encontrar, em ordem cronológica inversa, obras de Burle Marx, como a tapeçaria de 25 metros de comprimento recentemente restaurada e que pertence à prefeitura de Santo André. Vale a pena ver a exposição, e se perder por entre os caminhos verdes do parque, sentindo aromas e escutando passarinhos.

centenario_burle_marx.jpg

Ambientes sustentáveis na Casa Cor

8/07/09

Termina na próxima terça-feira (14/07) a 23ª edição da Casa Cor São Paulo. Este ano o evento apresenta três mostras simultâneas; Casa Cor São Paulo, Casa Hotel e Casa Kids 2009, em 124 ambientes. Como nos últimos anos, a mostra está no Joquey Club de São Paulo. Sob o tema Sustentabilidade, a Casa Cor incentiva os profissionais a criarem espaços que unam as últimas tendências do morar contemporâneo, com diversas formas de contribuir com o meio ambiente.

Para facilitar a visitação de uma área de 44 mil m² , conta com boulevard locomoção, com veículos não poluentes, além de carros elétricos e bicicletas.Neste ano a Casa Cor homenageou os 100 anos de nascimento de Burle Max, o mestre da natureza que mudou para sempre os espaços urbanos e de jardins no Brasil. Ele revolucionou a maneira de projetar o paisagismo, introduzindo plantas e flores nativas em seus projetos. Além de incorporar o uso de mosaicos, pedras, esculturas e lajes, dando personalidade na criação de formas e cores num estilo particular.

Também na Casa Cor é possível acompanhar trabalhos de profissionais da região do ABC.  Ângela Tasca, na cozinha Kids, Glaucya Taraskevicius, na suíte bebê Casa Kids.  Moreno, Marcos Contrea e Marcos Biarari no Espaço Brastemp.

A mostra Casa Hotel faz homenagem a várias celebridades, com suítes estreladas dedicadas a Amaury Jr., Hebe Camargo, Lucília Diniz e outras personalidades do mundo da moda, música e do entretenimento.

Muitos espaços surpreendem pela beleza e sofisticação. Mas considero que os dois ambientes mais bonitos e elegantes sejam o Refúgio do Velejador, de Debora Aguiar, Casa Cor, e Presidencial Garden, de Patrícia Anastassiadis, Casa Hotel. Este último, com uma área de 220m², encanta com a riqueza de detalhes. Como já dizia Frank Lloyd Wright, arquiteto americano que influenciou a arquitetura moderna com suas ideias e obras, como a Fallingwater house, Casa da Cascata, como é conhecida, “Deus mora no detalhe”.  Aproveitando a semana do feriado, ainda é possível ver e sonhar,  neste mundo onde a criação se torna realidade.

suitehebe.jpg Suíte dedicada a Hebe Camargo

patricianastassiadis.jpg Residencial Garden, de Patrícia Anastassiadis

deboraaguiar.jpg Refúgio do Velejador, de Debora Aguiar

Veja mais fotos

Sustentabilidade

23/06/09

A palavra de ordem mundial em arquitetura e interiores, é sustentabiidade. Apesar da mentalidade brasileira ser perdulária, e estarmos na iminência de um desastre ecológico, caso não sejam tomadas medidas urgentes,  a  construção civil começa a por em prática  formas de preservar os recursos naturais. A grande preocupação é de conciliar preservação com desenvolvimento. A chegada da certificação com o selo Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), que faz parte do Green Building Council (US GBC), conselho americano de construção sustentável, já é realidade no nosso país. Para receber esse selo, o empreendimento deve se enquadrar em critérios que envolvem tipo de terreno, economia de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e inovação do projeto.

Algumas providências podem ser tomadas, com consciência ambiental. Projetar de maneira sustentável em termos de iluminação e ventilação.  Levar em conta as condições e os recursos locais, o clima, preocupar-se com a escolha dos materiais e dos fornecedores que certificam seus produtos. Gerenciar os resíduos, reutilizar a água, aproveitar as águas pluviais, criar cisternas e melhorar a permeabilidade do solo, são outras possibilidades sustentáveis. Não podemos nos esquecer da água de reúso. Estas águas são provenientes de esgoto doméstico reaproveitadas.

Este recurso está sendo utilizado cada vez mais pelas prefeituras. Cidades como Santo André, São Caetano do Sul e Diadema utilizam este tipo de água para limpeza de ruas após a realização de feiras, manutenção de parques e transbordamento de rios. Com este tipo de recurso é possível economizar aproximadamente três mil m3  cubicos de água potável por mês.

Empresas estão cada vez mais interessadas no reaproveitamento desse tipo de água comprando de concessionárias como a Sabesp. Também é possível fazer a própria estação de tratamentos de resíduos e efluentes na companhia.  Em países europeus há excelentes exemplos de projetos que resultaram em soluções direcionadas para a redução do impacto ambiental das construções.

Novas propostas no uso racional como, sanitários com dois acionadores, torneiras com temporizador, caixa para coleta de água pluvial para uso posterior de vasos sanitários e irrigação de jardins, o uso de  chuveiros e churrasqueiras a gás. Assim como a utilização de lâmpadas econômicas PL, que proporcionam 35% de economia e maior vida útil. Além da  tecnologia do século 21, o uso de leds, da sigla que designa em inglês o light emitting diode. Como elemento de iluminação, principalmente na arquitetura e decoração, vêm sendo usados há cerca de dez anos, mas ainda com baixa  potência luminosa (lumens)..

O aproveitamento da energia solar, em painéis solares também é um recurso de captação de energia. No mobiliário os materiais se apresentam de forma diferenciada. Madeiras de reflorestamento, com selos de certificação, e materiais reciclados tornam os ambientes politicamente corretos. Na busca de qualidade de vida e preservação dos recursos naturais, unir estética e sustentabilidade é o grande desafio dos tempos atuais.

Aquecedor a gás Aquecedor a gás

churras.jpg  Churrasqueira a gás

img_00002851.jpg Torneira com temporizador

img.jpgChuveiro a gás

rf3003.jpg  Válvula Hydra Duo/Flux Deca

Decoração de salas

15/06/09

Olá amigos, hoje nosso bate-papo será sobre tendências na decoração de salas. Na era da informação e do mundo globalizado, das cidades caóticas com o trânsito e a poluição visual, além da poluição do ar e sonora, queremos voltar para casa. O nosso templo sagrado, e o nosso refúgio. E encontrar aconchego, como se a casa estivesse de braços abertos a nossa espera. No espaço interior, nossa casa tem valor fundamental. É onde encontramos abrigo. “A casa é nosso canto no mundo”,  como cita  Bachelard, na Poética do Espaço.

E nas salas, onde desfrutamos de encontros com a família e amigos, queremos ambientes limpos ou cleans, como temos chamado os ambientes. Cores claras,  nos dão sensações de tranqüilidade e quietude.  Móveis de linhas retas, minimalistas. Ás vezes com alguma peça de estilo, para quebrar a monotonia e criar um ambiente inusitado, e com bom humor. Os tecidos de toque macios e de fibras naturais, como os linhos e as sedas, são sempre requintados.

Os padrões podem ser escolhidos de acordo com o estilo da decoração.  A madeira, usada nos pisos nos remetem  a tempos das casas com assoalhos rústicos. A  tendência que desponta agora, são as madeiras de demolição. Os carvalhos em tonalidades diversas.  Do mais claro, ao mais fechado e escuro. As  cerâmicas e porcelanatos, que imitam madeira também tem facilitado na hora da manutenção. As pedras naturais nunca saem de moda. Mármores italianos, espanhóis e também os nacionais valorizam o cenário.

Tudo que for natural, dá equilíbrio ao quebra-cabeça que é o projeto de interiores. É como se trouxéssemos a natureza para dentro de casa. Temos cada vez mais, necessidade de qualidade de vida. Mas também precisamos ser práticos. E a tecnologia está aí para desfrutarmos dela. Vários lançamentos já estão disponíveis no mercado.

Na linha de móveis, os estofados confortáveis e com encostos baixos, que continuam na linha do design italiano. Mesas de apoio e de centro complementam o ambiente com poltronas de estilo ou design. Mas não podemos esquecer que um bom projeto luminotécnico valoriza tudo. É onde conseguimos ambientes cenográficos, evidenciando cores e texturas.

A preocupação com energia tem feito fabricantes desenvolverem  lâmpadas econômicas e com durabilidade de horas acima das comuns. Os ornamentos estão marcantes. Mas devemos sempre ter em mente que “menos é mais”, e isso vale para tudo. Sofisticação e bom gosto, aliados as facilidades de manutenção são exigências de pessoas bem informadas, que querem aproveitar o tempo com  a família, amigos ou até de estarem com elas mesmas curtindo o que a vida tem de melhor. São madames e messieurs de novos tempos.

Saloni del Mobili

7/06/09

milao2.jpg

milao.jpg
Milão, templo do Design,  que dita as tendências para o mundo, já não é a mesma. Com o mundo globalizado e a crise que arrasta os países de primeiro mundo, o Brasil se apresenta como o país do “este é o cara”, que Obama elegeu. Assistimos de camarote, a indústria italiana de saia justa. Nós que passamos a vida a improvisos e requebros, com inúmeros e sucessivos ajustes econômicos, tiramos de letra a mais uma crise.

O Saloni del Mobili este ano se apresentou tímido. Sem nenhum e espetacular lançamento. É claro que os italianos ainda dominam o mercado. Mas talvez estejam também num momento de crise existencial. Mas toda a crise traz resultados positivos. Porque é momento de se repensar os caminhos a se seguir. (leia mais…)