Vender Bananas
7/02/12Vender bananas
A vida de professor universitário é uma trilha cheia de percalços, a começar pela produção de conhecimentos. Espera-se que um professor universitário seja um pesquisador e não um mero copista, isto é, aquele que não é capaz de produzir e publicar as suas próprias reflexões e teses.
No entanto, o que se vê por aí são professores-pesquisadores que possuem títulos de mestre ou doutor e que são obrigados a omiti-los a fim de não incorrer no risco de serem dispensados da instituição. Trata-se de um sistema capaz de fabricar educação para comercializá-la ao gosto do freguês, e claro, ao bolso do comerciante, ou seja, o velho e famoso jargão “vale quanto pesa” entra em ação no segmento educacional.
Na maioria das instituições privadas brasileiras, o professor que investe em sua carreira acadêmica, conquistando títulos e aperfeiçoando os seus conhecimentos torna-se um entrave na acirrada disputa por uma “mão de obra” barata. Tudo isso, em benefício de uma adequação aos custos da “empresa” em prol de um “negócio” lucrativo.
Temos outra grave situação que afeta diretamente a contratação de um professor-pesquisador mestre ou doutor, quando esse é contratado por tempo determinado apenas para que a instituição esteja em conformidade com a legislação no momento do credenciamento e ou renovação de seus cursos regulares. Logo após tais certificações legais, o professor é dispensado. Educativo, não?! O professor se sente literalmente “usado”.
Há, ainda, aquelas instituições de ensino privadas que somente contratam professores com nível de especialista, pois o custo da hora/aula desses profissionais é mais acessível.
Um dia desses, um amigo professor me disse que seria mais interessante vender bananas. Nada contra os vendedores nem com as bananas, mas é uma ideia a ser estudada. Observem aqueles vendedores que ficam em frente às instituições comercializando os seus produtos, acredito que eles faturam por noite muito mais do que um professor que leciona quatro horas/aula.
Quem sabe um dia vocês me encontrem numa dessas barraquinhas. Nesse caso, a promoção é: quem comprar uma dúzia de bananas terá direito a tirar uma dúvida de língua portuguesa. É justo!
Sérgio Simka, mestre em língua portuguesa pela PUC-SP, criou e coordena para a editora Ciência Moderna a série “Não é um bicho-de-sete-cabeças”.

