Crase: O Segredo


Na coluna passada (30/10/07), escrevemos que hoje divulgaremos o segredo da crase. Pois acredite: a crase “é um dos mais temidos terrores de quem tem dúvidas de gramática”, conforme as palavras do professor Deonísio da Silva.

Provas? Seguem duas:

A primeira é de um site de venda de livros: “Segunda à sexta-feira, das 8h00 as 17h00”.

Eis a devida correção: “Segunda a sexta-feira, das 8h00 às 17h00”. Regra: antes dos dias da semana, não se usa o acento grave, indicador da crase. E diante de numerais que indicam hora, o acento é obrigatório.

A segunda prova vem de uma sinopse de livro, retirada da internet: “(…) a obra submete à uma reflexão sobre o significado dos mitos na vida cotidiana.”

Qual é o erro? Está no segundo “a”, pois “uma” é artigo indefinido e diante dele não se usa o acento: “(…) submete a uma reflexão…”.

Mas qual é o segredo da crase?

A crase é a contração da preposição “a” com o artigo feminino “a”, por isso é condição essencial que ela ocorra com palavra feminina. É necessário também que a palavra dependa de outra que exija a preposição “a”. E por último: é imprescindível que a palavra admita o artigo feminino “a”.

Por exemplo, na frase “Eu fui a Mauá”, não podemos acentuar o “a” que antecede “Mauá” porque ela não admite antes de si o artigo feminino “a”. Dizemos: “Mauá é cidade linda”, e não “A Mauá…”. Isso prova que o “a” da frase “Eu fui a Mauá” é simples preposição, que faz parte do verbo “ir”, pois o verbo exige a preposição “a” (quem vai, vai A algum lugar).

Para mais detalhes sobre o assunto, veja o nosso mais recente livro: Ensino Eficaz da Crase.

Uma resposta para 'Crase: O Segredo'

  1. Renato de Souza Diz:

    Gostaria de saber se diante de períodos, de 14 a 25 de março, esse “a” necessita de acento grave (crase) ou não!!

    Antecipadamente agradeço
    Renato

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