Repórter Diário - Em Londres, nova moda é dividir o carro
   

AUTOS & CIA
19/01/2009

Em Londres, nova moda é dividir o carro

Por Adriana Carranca
O "carro verde" virou mania em Londres Começou com carros compartilhados ou pós-pagos (sim, como celular). Clubes como WhizzGo e Streetcar mantêm uma frota comum entre vários associados - eles pagam por hora de uso. Depois, surgiram as locadoras "verdes", especializadas no aluguel de "ecocarros", movidos a biocombustível, biodiesel ou células de hidrogênio ou, ainda, híbridos, com motor elétrico e convencional. E a boa e velha carona também voltou à moda, agora organizada por empresas como a Lift Share e a National Car Share.

O aumento do preço do combustível, a crise financeira e impostos cada vez mais altos estão levando muitos a buscar alternativas. A preocupação ambiental também conta - organizações têm tentado desestimular o uso do transporte privado. "Ter um carro aqui não vale a pena", diz a engenheira e consultora de meio ambiente brasileira Isabela Souza, de 33 anos, há quatro em Londres. "Comprar não é caro, mas manter, sim Além dos impostos e taxas, o estacionamento e o seguro custam uma fortuna. E como o transporte público funciona..."

Isabela vai para o trabalho de trem - entre Richmond, onde vive, e Waterloo, no centro de Londres, onde trabalha, leva 20 minutos. Caminha outros 10 para atravessar a ponte sobre o Tâmisa. Para o Birkbeck College, onde dá aulas, ela vai de metrô No verão, pretende fazer o percurso de bicicleta.

Em setembro, ela se registrou no StreetCar, para quando realmente precisar de um carro. A taxa anual é de £49.50 (R$ 169). Paga-se a partir de £3.95 (R$ 13,50) por hora. O usuário reserva pela internet ou por telefone o carro mais próximo da sua casa - pode estar na garagem de seu vizinho ou em vagas reservadas nas ruas. Um cartão inteligente desbloqueia as portas e há um sistema interno acionado por senha.

A ideia é reduzir a frota - há quem use apenas para as compras, sair à noite ou viajar. Segundo a StreetCar, para cada carro dividido, há 20 a menos nas ruas. "Pesquisas mostram que esses usuários dirigem, em média, 40% menos, por um motivo simples: você paga cada vez que usar o serviço, portanto, pensa duas vezes", diz Richard George, da organização Campanha por Melhor Transporte, de Londres.

Isabela só usou carro duas vezes, para ir a Brighton, no litoral, e para as compras de Natal. Na primeira vez, o carro não estava tão próximo, mas em uma casa no bairro vizinho - os associados que disponibilizam garagem, coisa rara em Londres, não pagam anuidade. "Para achar carros próximos, é preciso reservar com antecedência. Isso deve melhorar à medida em que mais gente entrar para o clube. Desde que fui a Brighton, dois carros próximos à minha casa foram adicionados." O carro deve ser entregue limpo no mesmo local, com 1/4 do tanque - abastecido com um cartão do clube.

O Streetcar começou em 2004 com oito carros e hoje tem cerca de 700. São mais de 40 mil usuários em seis cidades inglesas. O maior clube de carros do mundo, US. Zipcar, que reúne mais de 180 mil membros e tem 5 mil carros nos Estados Unidos e no Canadá, acaba de chegar a Londres, onde também opera a WhizzGo, que oferece híbridos e carros de baixa emissão. Outros pequenos clubes se espalham pela Inglaterra.

Para períodos longos, no entanto, o aluguel tradicional costuma valer mais a pena. E as empresas inglesas estão se especializando em ecocarros. Um Honda Civic ou Toyota Prius, ambos híbridos, saem por £45 (R$ 154) na inglesa Green Motion, que ainda promete compensar as emissões CO2 plantando árvores. "Também há uma vantagem econômica em alugar carro de baixa emissão: o combustível é mais barato", diz Isabela.

Carona - Mais simples e barata, a carona ganha espaço na Inglaterra. A organização Lift Share cria para empresas sistemas em que os funcionários podem encontrar colegas com quem pegar carona, seja para ir ao trabalho, viajar no fim de semana ou até compartilhar um táxi. Mais de 300 mil usuários já se cadastraram A empresa não se responsabiliza pela segurança, mas dá dicas como não trocar endereço antes de conhecer a pessoa com quem dividirá a carona, além de avisar alguém da família. Usuários particulares também podem se registrar no site (www.liftshare com/uk).

Em São Paulo, onde a maioria dos carros circula só com uma pessoa, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente fez, em maio, um dia de campanha para estimular a carona, o que vai se repetir neste ano. Algumas iniciativas surgiram a partir daí, como o Juntoo.com.br, que promete ajudar paulistanos e cariocas a encontrar carona. O site cobra R$ 25 anuais para colocar usuários em contato. "Tudo o que ajuda a racionalizar o espaço público é bom", diz o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos, Marcos Bicalho. "Mas não deve ser tido como solução. O que as cidades precisam é de transporte público e ciclovias suficientes para as pessoas não dependerem do carro" (AE)



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