Repórter Diário - Reforma do Carlos Gomes custará R$ 8 milhões
   

CULTURA
11/05/2009

Reforma do Carlos Gomes custará R$ 8 milhões

Da Redação
A revitalização do Cine Teatro Carlos Gomes deverá custar R$ 8 milhões de acordo com o Secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André, Edson Salvo Melo. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (11/05), durante a inauguração da nova sede da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo).

“Com o orçamento atual teríamos condição de começar alguma coisa, mas o projeto é muito grande”, destaca. A saída encontrada pelo prefeito Aidan Ravin para custear a reforma foi a parceria com bancos. Neste caso, o banco fica responsável por toda a revitalização e a prefeitura apenas acompanha as obras. Ravin confirmou que as negociações com os bancos Nossa Caixa, Banco do Brasil e Unibanco estão avançadas e ainda neste ano deverá sair uma resposta.

“Eu já tinha movimentado isso como vereador pra que a gente conseguisse essa reforma, mas não foi possível na outra gestão porque eles queriam o dinheiro pra eles faz e eu quero o bem pra população. Se eu estou ganhando do banco, porque eu preciso administrar o dinheiro deles?”, questiona Aidan.

Apesar do declarado avanço nas negociações, Melo acredita que o início das obras não deve ser esperado para este ano. “Vamos concluir isso o mais breve possível, mas acredito que as obras não sejam iniciadas neste ano porque tem os trâmites burocráticos de licitação”, explica.

Escola Livre de Cinema e Vídeo
A sede da ELCV (Escola Livre de Cinema e Vídeo) de Santo André, localizada no Parque Chácara Pignatari (avenida Utinga, 136, Vila Metalúrgica), foi reformada e entregue nesta segunda-feira. A obra teve duração de oito meses e custou R$ 300 mil. As atividades artísticas da entidade eram desenvolvidas no Cine Teatro Carlos Gomes, que foi interditado no início deste ano e será revitalizado.

Para o coordenador da ELCV, Sérgio Pires, o novo local de trabalho é extremamente produtivo e beneficiará os alunos, já que, possibilita um olhar cinematográfico diferenciado e ainda estabelece uma relação com a comunidade do entorno. “Estamos em um ambiente que nos possibilita uma serie de atmosferas”, considera.

A inauguração do espaço marca, de acordo com o Secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Santo André, Edson Salvo Melo, o compromisso de manter as Escolas Livres da cidade. “A gente começa a cumprir um plano traçado desde o começo. Interditamos o Carlos Gomes e pudemos trazer a escola para um lugar com possibilidade maior de espaço e equipamentos”, observa.

A novidade para os munícipes é a criação da Escola Livre de Música de Santo André ainda neste ano, segundo Melo. A novidade integrará as Escolas Livres Municipais, que já contam com atividades nas áreas de dança, literatura, teatro e cinema e vídeo.

Atualmente a Escola Livre de Cinema e Vídeo conta com 90 alunos e com o curso de Formação, além de duas novidades: um curso de Interpretação de cinema, e o Primeiro Foco, projeto voltado a crianças e adolescentes. Entre as ações desempenhadas estão direção de arte, direção para cinema e vídeo, criação de documentários, propaganda e publicidade, trilha sonora, edição e montagem, linguagem e história da imagem, roteiro ficcional, roteiro clássico, direção de fotografia e adaptação no cinema brasileiro. (Colaborou Natália Fernandjes)





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Comentários dos leitores

19/05/2009
Vinicius Alves
“A gente não quer só comida…” Nasci em Santo André, há 33 moro aqui e tenho uma estranha sensação quando circulo pela cidade (quando digo cidade, não me refiro apenas ao centro, mas também aos bairros mais afastados), sinto uma mistura de amor e ódio, ao mesmo tempo que sinto orgulho de algumas partes, também sinto vergonha por outras esquecidas pelo poder público e privado. Sempre tive um interesse muito grande pela vida cultural e quando tenho oportunidade participo dos eventos da cidade (não sei por que, mas acho que está é a verdadeira vocação da cidade), porém é triste ver como lugares que a princípio estão a disposição da população, como a Casa do Olhar, Casa da Palavra, Concha Acústica, Teatro Municipal e o próprio Parque Central, são tão mal utilizados, mal divulgados, e por que não dizer mal cuidados (estou falando de lugares centrais, imagino como estão os espaços das regiões periféricas). Quarta-feira passada fui ao saguão do teatro municipal assistir a uma apresentação musical onde tocaram 3 bandas, eu fiquei sabendo dessa apresentação porque tenho amigos que são conhecidos dos músicos, caso contrário não saberia (mal divulgado). Havia por volta de 100 pessoas (as mesmas 100 que comparecem sempre a esse tipo de evento. Tenho a sensação que a juventude de Santo André se resume a 100 pessoas), durante toda a apresentação que durou 3 horas, estas pessoas seriam obrigadas a permanecerem sem poder comprar uma garrafa d’água, um refrigerante, uma cerveja (lanche nem pensar) se não fosse por um “santo” vendedor ambulante que estava fazendo ponto do lado de fora, sendo que dentro do saguão existe um espaço próprio para o funcionamento de uma lanchonete, a qual iria atender de forma muito mais adequada os freqüentadores. Mês passado fui a um evento que houve na Casa do Olhar com apresentação de free jazz, teatro e pintura. A casa estava relativamente vazia e as pessoas que lá estavam eram as mesmas caras já aqui citadas, fiquei sabendo através de um amigo que era um dos músicos, ainda não conhecia o espaço e achei realmente excelente para esse tipo de evento, porém novamente mal utilizado e sem a participação efetiva dos moradores. Nesta noite enquanto estava ocorrendo a apresentação fui comprar uma cerveja (porque lá não tinha) e circulei ao redor da Igreja do Carmo, das imediações e pude observar vários bares abertos e as moscas, nesse momento me perguntei: “Por que a prefeitura, aproveitando a localização das Casas do olhar, da palavra e da Concha Acústica não aproveita essa oportunidade e desenvolve o comércio da região central, criando eventos paralelos e fazendo parcerias com os comerciantes locais?”, afinal de contas em tempos de crise nenhuma oportunidade deve ser desperdiçada, principalmente visando revitalizar o centro da cidade. Voltei para a Casa do Olhar e quando entro reencontro um colega de faculdade que há tempos não via, nos cumprimentamos, conversamos um pouco e nos despedimos, dias depois abro o Diário do Grande ABC e para minha surpresa vejo estampada na primeira página do caderno Cultura e Lazer o rosto deste meu colega de faculdade, Edson Sálvio Melo, que há pouco assumiu a secretária da cultura, lazer e esporte de Santo André, ou seja, perdi uma ótima oportunidade de como cidadão tirar algumas dúvidas, mas acredito que outras oportunidades surgirão. A tal matéria no jornal dizia que a restauração do teatro Carlos Gomes teria orçamento de 8 milhões de reais e que as obras provavelmente começariam em 2010, fiquei pensando: “Como bom Andreense que sou também quero ver o teatro Carlos Gomes recuperado, mas será que realmente é esse o valor necessário? Não sei, pode ser”, a segunda coisa que me veio a cabeça foi: “Vão restaurar o Carlos Gomes, mas depois da reinauguração ele vai ficar largado as traçar de novo, como o Museu de Santo André, na av. Senador Fláquer (o número de pessoas que nem sabem da existência de um museu em Santo André é incrível), pra que gastar tanto então?”, e continuei divagando e pensando com os meus botões. Acredito que com um pouquinho de criatividade e vontade política e social, poderíamos resolver diversas questões da nossa cidade e prestar um serviço bem melhor a todos. Estamos no século 21, vamos democratizar a cultura e as informações, para que outras pessoas além da pequena minoria empoeirada e provinciana que forma opinião no ABC possa se manifestar e utilizar os espaços que lhes cabem.

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