Repórter Diário - O caminho entre nosso cérebro e nosso objetivo
   

OPINIÃO DO LEITOR
30/06/2009

O caminho entre nosso cérebro e nosso objetivo

*Giovana Tessaro
O empresário J.E. chegou em meu consultório muito abatido, relatando frequentes crises de ansiedade e estafa. Apesar de sua história de comprometimento com a carreira e talento reconhecidos se encontrava sem perspectivas. Melhorar seu estado físico e emocional parecia algo distante, apenas uma ideia desprovida de sentido.

Situações como estas são mais comuns do que se imagina e demonstram a dificuldade do ser humano em ser coerente com seus objetivos e buscar alternativas para melhorar suas vidas. Algo que não depende simplesmente da vontade, mas que revela uma divisão física em nosso cérebro.

O cérebro é um órgão dividido entre hemisférios direito e esquerdo: no direito predominam o comando das nossas emoções e potencial artístico, no esquerdo, as conexões que regulam nossa capacidade racional e lógica. Outra divisão importante vem da nossa evolução animal, de forma simplificada podemos dizer que temos:

"cérebro reptiliano" instintual,

"cérebro mamífero" emocional,

"cérebro humano" que pensa, fala, cria e utiliza-se de instrumentos.

Tais diferenças dificultam a sincronia entre razão, emoção e ação. Também dificultam a "digestão" das experiências que vivemos. O EMDR é uma técnica psicoterapêutica que promove uma "conversa" entre estas divisões cerebrais, por isso destaca-se por sua eficiência e agilidade.

EMDR significa Eye Movement Desensitization and Reprocessing: Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares. Foi descoberto pela pesquisadora americana Francine Shapiro, no final da década de 80. Através de perguntas que ativam diferentes regiões cerebrais seguidas de estimulação bilateral, o EMDR é um processo simples que estimula a dessensibilização daquilo que nos incomoda colocando-nos em um estado mais saudável no qual razão, emoção e ação estão mais alinhadas. Em todo o processo o paciente fica consciente e o uso é amplo: para tratar ansiedade, fobias, depressão, pânico, somatizações, otimização do desempenho profissional, sexual, esportivo, criativo, entre outros.

Cresce a cada dia o número de estudos científicos assegurando a eficácia do tratamento e manutenção dos resultados. Por trabalhar diretamente nossa neurofisiologia é possível comparar os resultados através de tomografias do cérebro. O EMDR estimula um sistema natural do nosso corpo, o Sistema de Processamento de Informação e Adaptação, promovendo aumento de fluxo de energia entre os "diferentes cérebros" e seus hemisférios: um instinto de cura. Os pacientes costumam dizer que se sentem destravados, que seus sentimentos negativos e sintomas se "desmancham" e que passam a fazer o que desejam sem esforço exagerado, sem peso.

Giovana Tessaro é psicóloga clínica e terapeuta em EMDR e Brainspotting, técnicas que estimulam mecanismos de cura e criatividade do cérebro, tornando o processo terapêutico mais rápido que o convencional.




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