Edição 1663 - ABC, Quinta-feira, 02 de setembro de 2010
INTERNACIONAL
18/09/2008
Leite em pó com produto químico já infectou mais de 6.200 na China
Amostras de leite em pó contaminado mataram três bebes e contaminaram mais de 6.200 na China, em um escândalo que ganha proporções crescentes. Três outras empresas, entre elas a maior fábrica de laticínios do país, retiraram produtos suspeitos das prateleiras, informou o Ministério da Saúde nesta quarta-feira.
O ministro da Saúde, Chen Zhu, disse que espera um aumento nos casos de contaminação em bebês, conforme "mais e mais pais levam crianças ao hospital".
Perto de 20% das empresas do setor de laticínio testadas pelo país vendiam produtos contaminados com melamina, afirmaram funcionários do governo. Os fornecedores dessas companhias são os suspeitos de acrescentarem o produto químico banido, normalmente usado em plásticos, ao leite cru, para que ele parecesse com mais proteínas.
Em um sinal da preocupação do governo, o primeiro-ministro Wen Jiabao comandou uma reunião de gabinete, nesta quarta-feira, sobre o tema. A intenção de Wen é melhorar o sistema de inspeção dos produtos derivados do leite e corrigir os problemas no setor, segundo o site do governo.
As companhias incluíam a Mengniu, principal do setor de laticínios chinês. A empresa afirmou que está recolhendo seu produto para bebês, depois que foi detectado melamina em amostras.
O anúncio explica que será feito o recall de três lotes, produzidos em janeiro, mas não informa a porcentagem do produto infectada, tampouco se houve exportação desse material.
Segundo o ministro, 6.244 bebês foram contaminados, após consumirem a fórmula contaminada. Entre eles, 158 estavam sofrendo com falência aguda do fígado. Chen divulgou a morte de um terceiro bebê, na província de Zhejiang, leste do país, sem fornecer outros detalhes. As duas outras vítimas fatais eram da província de Gansu.
Até agora, acredita-se que todas as crianças infectadas consumiram o leite em pó produzido pela empresa que está no centro do escândalo, a Sanlu Group, segundo o ministro. É fornecido tratamento médico gratuito às vítimas e também foi divulgado um número de telefone, para os que suspeitem de novos casos se comuniquem com o governo. Mais de 1.300 crianças permanecem hospitalizadas, afirmou Chen.
A presidente da Sanlu, Tian Wenhua, foi demitida de seu posto e em seguida detida pela polícia, informou a agência estatal Nova China. Quatro fornecedores de leite também foram presos.
O prefeito de Shijiazhuang, na província de Hebei, onde a companhia tem sede, foi demitido. Além deles, quatro outros funcionários perderam o emprego. Entre eles está o vice-prefeito encarregado da agricultura, Zhang Fawang, e o diretor da agência regulatória de alimentos e remédios, Zhang Yi.
O presidente do órgão de controle de qualidade chinês, Li Changjiang, anunciou que, além da Sanlu e da Mengniu, uma companhia sediada em Cantão, Yashli, e outra em Qingdao, Suncare, também estavam retirando produtos do mercado após encontrarem melamina neles. A Yashili e a Suncare exportam seus produtos para Bangladesh, Iêmen, Gabão, Burundi e Mianmar.
A Administração Geral de Qualidade, Supervisão, Inspeção e Quarentena informou que foi encontrada melamina "em 69 lotes de leite em pó manufaturados por 22 companhias".
A maior concentração de melamina foi encontrada no leite produzido pela Sanlu. Entre as outras companhias com problemas estava a Yili Industrial, patrocinadora da Olimpíada de Pequim. Segundo Li, checagens realizadas nos produtos enviados à Vila Olímpica não demonstraram qualquer contaminação.
SORVETE - Em outro incidente, inspetores de alimentos de Hong Kong determinaram que um sorvete feito pela Yili Ab Foods, de Xangai, fosse recolhido, também pela presença de melamina. Pequim ainda investiga o caso.
O leite contaminado provoca a segunda crise no país desde o fim da Olimpíada de Pequim, em 24 de agosto. Na semana passada, pelo menos 258 pessoas morreram em um deslizamento em uma mina ilegal no norte chinês.
O escândalo crescente do leite é um revés para o sistema de segurança de produtos do país, que luta para restaurar a confiança do consumidor. No ano passado, houve problemas com contaminação de pastas de dente, pneus de baixa qualidade e defeitos em outros produtos.
É o segundo caso nos últimos anos envolvendo produtos chineses para crianças. Em 2004, mais de 200 bebês ficaram desnutridos e pelo menos 12 morreram por causa de um produto falsificado, que não continha nutrientes.
Funcionários das empresas se desculparam, mas até agora não explicaram a demora para informar o público. As reclamações começaram a chegar em março, e testes confirmaram a presença do produto químico em agosto. (AE)